sábado, agosto 26, 2006
domingo, agosto 13, 2006
domingo, agosto 06, 2006
"Errare humanum est"
O que Stella sempre soube do avô é que ele morava em outro Estado e que ha muito tempo, deixara sua vó com três filhos pequenos, e nunca mais voltara.
Stella acostumou-se a, como todos os primos, chamar de avô o homem estremamente severo que casara com sua avó Isaura. Ele, em nada se parecia com Stella: Era moreno. Tinha um bigode que ela considerava, não familiar, mas, totalmente alheio. Seu Rogério não era carinhoso. Era quase impessoal: parecia o gerente da casa. Sua preocupação era manter a ordem do estabelecimento. Todos o respeitavam naquela lugar. Do mais novo ao mais velho. Os cachorros e os papagaios da vó Isaura alardeavam a chegada de Seu Rogério para, em seguida, emudecerem, e as crianças... Cada uma "tomava seu posto"; o que ria, tornava-se sério, a que estava deitada no sofá, imediatamente sentava, a empregada que via novela na sala, corria para a cozinha para lava louça. Stella não se conformava com isso. Certa vez, segurando um gatinho no colo, ao ver o avô se aproximar, continuou a afagar o bichano.
_Ponha o gato no chão, disse ele.
_Mas porque? Indagou Stella, esperando uma resposta que o valesse.
_Voces acham que podem fazer tudo, não se comportam! Na casa de voces não deve ser essa bagunça que fazem aqui.
Verdade seja dita: de todas as crianças daquela casa, Stella era a mais ousada. Não fosse o fato de ter ficado mais velha, e de ter, simplesmente, "abandonado" a casa da vó, um dia, com certeza, ela teria disparado contra ele, perguntas e ou respostas capazes de quebrar aquela ditadura, ou ao menos, pôr em questão o ditador.
Sua avó ia visitá-la às vezes, mas Stella não voltava lá, ela perdera o interesse de ir a casa onde passara tantos momentos de sua infância e até de sua adolescência. Não só perdera o interesse como desenvolvera uma espécie de rejeição a tudo e a todos que estivessem relacionados àquele sistema da casa de vó Isaura.
Vó Isaura morreu e quando Stella lá voltou , encontrou seu avô, outrora tão imponente, quase demente. Inacreditável! Aquilo era Inacreditável para ela: Seu Rogério era quase um boneco na mãos dos que ali ficaram. Ele morreu pouco tempo depois. Um ano talvez, talvez mais. Ela não se sentiu bem,. Teve pena.
Dez anos depois, Stella lembrou-se do avô. Não de Seu Rogério (este nunca saíra de sua memória) mas de seu avô verdadeiro, Jerônimo que, ha mais de cinqüenta anos, abandonara sua avó, indo morar em outra região. Não acompanhou o crescimento dos filhos, não conheceu os netos. Estaria ele vivo? perguntava-se
Sim! Foi o que contara prima Rita na ocasião de seu aniversário de vinte e nove anos.
No ano passado Rita Figueira pegara um avião e fora conhecer o desconhecido, cujo sobrenome, era o único que lhe indicava a origem. Segundo ela, o avô era meigo e carinhoso.
_ Mas prima, perguntou Stella, voce não acha que ele pode ser a chave para desvendarmos um segredo, no mínimo, muito delicado? Veja bem: Mesmo que fosse hoje em dia, em que os casamentos já não duram mesmo, seria estranho que, um homem de bem, deixasse esposa e três filhos pequenos, e não mais voltasse para vê-los. Agora voce imagine esse fato, ocorrido em meados de 1950? Voce não acha que isso constitui um fato que não podemos ignorar?
_ Sim prima, respondeu a meiga Rita, mas o que ficou no passado não devemos "futucar". Se temos um avô, devemos aproveitá-lo como ele é.
Rita sempre fora mais passiva que Stella e menos questionadora também.
Stella gostaria de conhecer o avô. Soube que seus olhos eram verdes como os dela. E seu comportamento e personalidade poderiam também guardar alguma semelhança
com os dele. O problema era que: Tendo ele feito o que fez, ou sua avó aprontara alguma muito grave, ou ele teria sido um irresponsável inconseqüente. Se ele o fora, continuava sendo, pois vivo, nunca voltara para reparar, ou sequer conhecer, os males que indiretamernte causara a toda a família Figueira, que ali ficou e seguiu errando até não sei que geração.
Stella acostumou-se a, como todos os primos, chamar de avô o homem estremamente severo que casara com sua avó Isaura. Ele, em nada se parecia com Stella: Era moreno. Tinha um bigode que ela considerava, não familiar, mas, totalmente alheio. Seu Rogério não era carinhoso. Era quase impessoal: parecia o gerente da casa. Sua preocupação era manter a ordem do estabelecimento. Todos o respeitavam naquela lugar. Do mais novo ao mais velho. Os cachorros e os papagaios da vó Isaura alardeavam a chegada de Seu Rogério para, em seguida, emudecerem, e as crianças... Cada uma "tomava seu posto"; o que ria, tornava-se sério, a que estava deitada no sofá, imediatamente sentava, a empregada que via novela na sala, corria para a cozinha para lava louça. Stella não se conformava com isso. Certa vez, segurando um gatinho no colo, ao ver o avô se aproximar, continuou a afagar o bichano.
_Ponha o gato no chão, disse ele.
_Mas porque? Indagou Stella, esperando uma resposta que o valesse.
_Voces acham que podem fazer tudo, não se comportam! Na casa de voces não deve ser essa bagunça que fazem aqui.
Verdade seja dita: de todas as crianças daquela casa, Stella era a mais ousada. Não fosse o fato de ter ficado mais velha, e de ter, simplesmente, "abandonado" a casa da vó, um dia, com certeza, ela teria disparado contra ele, perguntas e ou respostas capazes de quebrar aquela ditadura, ou ao menos, pôr em questão o ditador.
Sua avó ia visitá-la às vezes, mas Stella não voltava lá, ela perdera o interesse de ir a casa onde passara tantos momentos de sua infância e até de sua adolescência. Não só perdera o interesse como desenvolvera uma espécie de rejeição a tudo e a todos que estivessem relacionados àquele sistema da casa de vó Isaura.
Vó Isaura morreu e quando Stella lá voltou , encontrou seu avô, outrora tão imponente, quase demente. Inacreditável! Aquilo era Inacreditável para ela: Seu Rogério era quase um boneco na mãos dos que ali ficaram. Ele morreu pouco tempo depois. Um ano talvez, talvez mais. Ela não se sentiu bem,. Teve pena.
Dez anos depois, Stella lembrou-se do avô. Não de Seu Rogério (este nunca saíra de sua memória) mas de seu avô verdadeiro, Jerônimo que, ha mais de cinqüenta anos, abandonara sua avó, indo morar em outra região. Não acompanhou o crescimento dos filhos, não conheceu os netos. Estaria ele vivo? perguntava-se
Sim! Foi o que contara prima Rita na ocasião de seu aniversário de vinte e nove anos.
No ano passado Rita Figueira pegara um avião e fora conhecer o desconhecido, cujo sobrenome, era o único que lhe indicava a origem. Segundo ela, o avô era meigo e carinhoso.
_ Mas prima, perguntou Stella, voce não acha que ele pode ser a chave para desvendarmos um segredo, no mínimo, muito delicado? Veja bem: Mesmo que fosse hoje em dia, em que os casamentos já não duram mesmo, seria estranho que, um homem de bem, deixasse esposa e três filhos pequenos, e não mais voltasse para vê-los. Agora voce imagine esse fato, ocorrido em meados de 1950? Voce não acha que isso constitui um fato que não podemos ignorar?
_ Sim prima, respondeu a meiga Rita, mas o que ficou no passado não devemos "futucar". Se temos um avô, devemos aproveitá-lo como ele é.
Rita sempre fora mais passiva que Stella e menos questionadora também.
Stella gostaria de conhecer o avô. Soube que seus olhos eram verdes como os dela. E seu comportamento e personalidade poderiam também guardar alguma semelhança
com os dele. O problema era que: Tendo ele feito o que fez, ou sua avó aprontara alguma muito grave, ou ele teria sido um irresponsável inconseqüente. Se ele o fora, continuava sendo, pois vivo, nunca voltara para reparar, ou sequer conhecer, os males que indiretamernte causara a toda a família Figueira, que ali ficou e seguiu errando até não sei que geração.
sábado, agosto 05, 2006
O temps, suspend ton vol.
Quelques Citations Lamartineenes:
Les utopies ne sont que des vérités prematurées
Un seul entre vous manque, et tout est dépeuplé
Et ma preferée:
O temps! Suspend ton vol.
Les utopies ne sont que des vérités prematurées
Un seul entre vous manque, et tout est dépeuplé
Et ma preferée:
O temps! Suspend ton vol.
sexta-feira, agosto 04, 2006
Em nome do pai
Em nome do pai
Se você é sensível, e fica mal com histórias tristes, por favor não leia essa. É para seu próprio bem, e também para o meu, pois, minha intenção, obviamente, não foi a de botar ninguém para baixo.
Fora mãe solteira e adolescente de um menino
E a alegria que a maternidade lhe proporcionava, ainda hoje, eu não posso saber
Só imaginar
Era quase o golpe militar, mas ela não se intimidou
Foi trabalhar em teatro, dançarina, dizem que era vedete
Morou em Copabanana nos anos 60
Num pequeno apartamento bem decorado
Ela tinha a coleção dos Impressionistas
E a Biografia De Henry de Toulouse Lautrec
Conquistou um músico da companhia
Fez com que ele se casasse e, a ela e seu filho, desse seu nome
Ela era jovem e linda
Sabia, como poucos, seduzir pessoas
Através de palavras bem escolhidas e dos gestos teatrais
Também é claro, pelo sorriso, pelo olhar, pela voz
Seu sorriso era lindo, seu olhar arrebatador,
A voz, algo entre o grave e o macio
Ela tinha muita malícia
Sabia usar seus instrumentos
Impressionantemente, driblava o preconceitos dos outros
Contruía sua própria moral
Após vários anos e enganos, nasceu-lhe, como queria, uma menina
Diferente de outros rebentos, este vingara
Deu-lhe nome de estrela
Ela era linda, como a mãe
Mas não era mais dançarina, agora ela era telefonista
Nunca mais morou em Copacabana
Instalou-se na zona oeste
Se preparava para os anos oitenta
Tinha agora, mais de trinta,
Seu companheiro de erros, por querer acertar, trocou-lhe por outra
Essa outra não tinha um pingo da sua dramaticidade
Por outro lado, oferecia tranquilidade e também passividade
Furiosa e um pouco triste achou que poderia construir tudo de novo
E arquitetava a construção
fazendo comida e chorando sobre o fogão
Outro homem (qualquer outro) ou nenhum
Tinha aos filhos
E a ela mesmo
Foi quando
Levou o pior golpe, penso eu, que a vida pode dar em alguém
Seu primogênito
Morrera, de repente
Cruelmente
.....
Nossa valente e destemida Heroína
Se tivesse juízo,
Teria-o perdido
Se dinheiro possuisse,teria-o queimado
Se bons amigos cultivasse, tería-os abandonado
A dor que ela sentia
Se fosse só dor...
Havia também o remórcio e a raiva
A dor, a culpa e a raiva
São, rato, cupim, barata
Roeram tudo que a essa infeliz restava
Roeram sua fé
Sua esperança
Seu sorriso
Seu olhar
Sua voz
Seu bom gosto
Sua moral
Ela bebia e tomava remédios
Sua filha não a suportava mais e
Fazia força para esquecer a própria mãe
E ela foi destruindo as únicas coisas que possuia
E fazendo novas escolhas desatrosas
Frenqüentava hospitais públicos
Precisava de remédios para seu pulmão possuído por bactérias.
E casas de saúde mental
Precisava de bolinhas para continuar...
Duas décadas se passaram
Dá para acereditar?
Sobrevivera;
Ela hoje é uma senhora
E sua filhinha de outrora
também já é senhora
E essa triste e forte história
Continuará(talvez)em outra hora.
Se você é sensível, e fica mal com histórias tristes, por favor não leia essa. É para seu próprio bem, e também para o meu, pois, minha intenção, obviamente, não foi a de botar ninguém para baixo.
Fora mãe solteira e adolescente de um menino
E a alegria que a maternidade lhe proporcionava, ainda hoje, eu não posso saber
Só imaginar
Era quase o golpe militar, mas ela não se intimidou
Foi trabalhar em teatro, dançarina, dizem que era vedete
Morou em Copabanana nos anos 60
Num pequeno apartamento bem decorado
Ela tinha a coleção dos Impressionistas
E a Biografia De Henry de Toulouse Lautrec
Conquistou um músico da companhia
Fez com que ele se casasse e, a ela e seu filho, desse seu nome
Ela era jovem e linda
Sabia, como poucos, seduzir pessoas
Através de palavras bem escolhidas e dos gestos teatrais
Também é claro, pelo sorriso, pelo olhar, pela voz
Seu sorriso era lindo, seu olhar arrebatador,
A voz, algo entre o grave e o macio
Ela tinha muita malícia
Sabia usar seus instrumentos
Impressionantemente, driblava o preconceitos dos outros
Contruía sua própria moral
Após vários anos e enganos, nasceu-lhe, como queria, uma menina
Diferente de outros rebentos, este vingara
Deu-lhe nome de estrela
Ela era linda, como a mãe
Mas não era mais dançarina, agora ela era telefonista
Nunca mais morou em Copacabana
Instalou-se na zona oeste
Se preparava para os anos oitenta
Tinha agora, mais de trinta,
Seu companheiro de erros, por querer acertar, trocou-lhe por outra
Essa outra não tinha um pingo da sua dramaticidade
Por outro lado, oferecia tranquilidade e também passividade
Furiosa e um pouco triste achou que poderia construir tudo de novo
E arquitetava a construção
fazendo comida e chorando sobre o fogão
Outro homem (qualquer outro) ou nenhum
Tinha aos filhos
E a ela mesmo
Foi quando
Levou o pior golpe, penso eu, que a vida pode dar em alguém
Seu primogênito
Morrera, de repente
Cruelmente
.....
Nossa valente e destemida Heroína
Se tivesse juízo,
Teria-o perdido
Se dinheiro possuisse,teria-o queimado
Se bons amigos cultivasse, tería-os abandonado
A dor que ela sentia
Se fosse só dor...
Havia também o remórcio e a raiva
A dor, a culpa e a raiva
São, rato, cupim, barata
Roeram tudo que a essa infeliz restava
Roeram sua fé
Sua esperança
Seu sorriso
Seu olhar
Sua voz
Seu bom gosto
Sua moral
Ela bebia e tomava remédios
Sua filha não a suportava mais e
Fazia força para esquecer a própria mãe
E ela foi destruindo as únicas coisas que possuia
E fazendo novas escolhas desatrosas
Frenqüentava hospitais públicos
Precisava de remédios para seu pulmão possuído por bactérias.
E casas de saúde mental
Precisava de bolinhas para continuar...
Duas décadas se passaram
Dá para acereditar?
Sobrevivera;
Ela hoje é uma senhora
E sua filhinha de outrora
também já é senhora
E essa triste e forte história
Continuará(talvez)em outra hora.
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