terça-feira, fevereiro 27, 2007

Clarice I

O "se" é um convite à imaginação.
O "se" é só suposição.
Pode, mesmo não sendo real, agradar, desagradar, consolar e aterrorizar.... Ou desencadear um seqüencial de tudo isso e mais. Pode ajudar ou atrapalhar...

Hoje assisti a uma entrevista de Clarice. Foi a primeira vez que a vi se mexer e falar (só conhecia sua imagem por fotos). Essa entrevista é de 77. Foi a sua última. Morreu pouco depois. Como estava séria! Foi essa a imagem que nos deixou. A única entrevista que conheço de Clarice. Acho que foi a primeira e única concedida à televisão. Vinte e sete minutos de perguntas diretas e respostas objetivas, nenhum sorriso. Foi essa a imagem eternizada de Clarice.
Ela estava natural. Naturalmente cansada, como disse. Incrível, espontânea, sincera(?). Sim, sincera.

Retardatária que sou, aos poucos vou conhecendo minhas impressões sobre o que vi.
O que é Claro é que amo Clarice.
Amo não, que nem sei o que é amor, mulher pobre que sou. Mas admiro. muito.
Espero não começar a imitá-la de novo, como já fiz uma vez. Torno-me ainda mais grosseira.
Não paro de pensar em Clarice. Ela morreu aos 50. Jovem?
Na entrevista quando perguntada sobre seu "filho predileto" dentre as obras, responde que é a história do bandido que morreu com treze tiros quando um só bala bastaria. Ela se indigna com isso. Diz que é abuso. Toma as dores do bandido. Imediatamente me ocorre que algumas pessoas podem interpretá-la mal. Hoje qualquer pessoa de bem gostaria de ver um bandido morrer com oitenta balas. Gostaria de defendê-la. Explicar o contexto e desenvolvimento. Mas não vou fazer isso agora não.
Se Clarice estivesse viva teria oitenta e poucos anos. Como ela se relacionaria com esses fatos político-sociais do Brasil, Rio de Janeiro 2007 ? Com a internet, com os problemas ambientais do mundo inteiro? Meu Deus. Clarice é única ! Não posso imaginar alguém parecido, só ela.

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