terça-feira, fevereiro 27, 2007

Clarice II

Como queria acordar hoje, ligar o pc e ir para o blog diário de Clarice, ler a vida alma da mulher. Mas talvez Clarice pertencesse àquele tempo e jamais pudesse pertencer ao nosso. Ela morreu um anos depois do meu nascimento. Quando ela saiu eu cheguei. Encontrei-a vinte anos depois em livro. Foi um sopro de vida. De inspiração. Foi destino. Foi uma aprendizagem com o livro dos prazeres. Foi água-viva e me ardeu muito. Vi a maçã no escuro. Conheci os laços de família. Eu não entendi mas eu soube. Foi minha descoberta do mundo. Clarice, Clarice, Clarice. Queria te contar uma coisa: quando escrevo com lápis, apago. Quando escrevo à caneta, cometo muitos erros, faço muitas rasuras, e dezenas de bolas de papel amassado (horrível, anti-ecológico e dispendioso). Por isso escrever no computador se torna mais prático e conveniente. Suprimo frases inteiras sem o menor pudor. Suprimo os verbos. Troco tudo a todo momento. Lógico que não deixo nunca de lembrar que voce escrevia sempre com sua máquina datilográfica, de colo ou de mesa. Nessa máquina, se a gente erra, tem duas saídas: Tira a folha, amassa, joga fora e começa tudo de novo ou simplesmente deixa o erro lá. Esses erros vem fazer parte da história. Sonho com o dia que terei mais firmeza com as palavras. E que mesmo as erradas sejam mais admissíveis. Há também os erros de português. Não os acidentais, da falta de destreza, mas os de minha ignorância de garota que nunca foi muito de colégio. Por falar de colégio, minhas aulas na universidade vão re-começar. Voce acredita que farei duas matérias com aquela professora tão metódica e exigente? Ela me reprovou uma vez. Eu tive raiva e pavor dela. Mas acho que a raiva passou e o pavor virou até, digamos, respeito. Fui eu mesma que me inscrevi em suas disciplinas. Esses próximos dias serão de solidão. Ainda bem que me lembrei de voce. Me fará companhia. Um beijo e até logo.

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